segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Seu Eu Público x Seu Eu Privado

 Bem sabemos que o público e o privado, hoje em dia, estão mesclados (principalmente depois que os celulares vieram com o poder de filmar e tirar fotos) e ninguém mais tem uma vida privada completamente privada. Além da própria cidade ter câmeras em todas as esquinas (nem todas), qualquer um na rua pode estar te filmando sem que saibas. Na rua, todo mundo é "público". Em casa, todo mundo é "privado" (tem privacidade), quando quer ou quando pode, pois a maioria de nós já ouviu conversas (ou já viu mesmo) sobre pessoas que foram filmadas ou fotografadas em momentos íntimos. então também perdemos nossa privacidade dentro de casa. Muitas vezes porque nos descuidamos e caímos na tentação de algum ato sexual que deveria ficar apenas entre o casal e PAPAPAPA, sem querer, caiu na rede (é peixe). Depois que cai na rede já sabe, né? A culpa é de quem? eu não vou entrar neste ponto neste post porque aqui a intenção é falar do nosso sofrimento. COMO ASSIM? Explicarei...

 Até não conseguirem invadir nossa mente, ela é o único lugar, hoje em dia, que podemos ter privacidade. Isso se não quisermos contar para o facebook, para o twitter ou para o nosso blog (Oops...). Podemos manter a nossa privacidade dentro de nós, mas é tão difícil. Para alguns é mais do que difícil, é insuportável manter seus sentimentos para si próprio. Mas eu li em algum canto alguma coisa mais ou menos assim: se você não consegue ficar sozinho (e aqui eu coloco também o que venho abordando, ou seja, se não consegue ficar com seus pensamentos) é porque a companhia não tá legal. Mas é claro que eu sei que tem coisas que nós precisamos desabafar para nossos amigos, familiares, etc. Mas, na minha sádica opinião, tem coisas que precisamos saber lidar sozinhos. A dor, por exemplo, é algo tão íntimo de cada um. Não só a dor física, mas qualquer tipo de sentimento que nos faça sentir mal. É a maior forma de privacidade que temos. A dor é nossa. Nós não precisamos colocar pra o mundo todo ouvir (ou ler) que estamos doentes ou que estamos no hospital ou que a nossa perna tá doendo ou que estamos tão tristes :(. No final das contas cada um fala o que quiser, né verdade. MAS eu vejo uma coisa poética (e masoquista) no fato de termos algo nosso com o qual possamos aprender a lidar com as coisas que acontecem dentro da gente. 

Então, na medida do possível, você é que escolhe o que ser público ou ser privado na sua vida. A tentação é grande de dizer coisas na rede e o perigo mora nas pessoas que podem pegar sua dor na internet e transformar em numa piada. Não podemos deixar que a única coisa que nos pertence de fato (e aqui não me refiro só à dor, mas à felicidade e qualquer outro tipo de sentimento que tenhamos o cuidado de não sair divulgando para qualquer um) seja desconstruída de uma hora para outra. Aqui lembro de uma historinha que dizia mais ou menos assim: duas pessoas começaram a escalar uma montanha e uma delas não conseguia ouvir nada, digamos que porque estava com um fone de ouvidos ouvindo música. Então algumas pessoas gritaram lá de baixo pra elas descerem porque não conseguiriam subir até o topo. O que estava sem os fones resolveu descer porque realmente achou a montanha muito íngreme ou inventou alguma outra desculpa para si mesmo. O que estava ouvindo sua música e não ouvia o que os abutres falavam lá em baixo continuou subindo de boa na lagoa até chegar ao topo. Acho que vi algo parecido em Os Simpsons... 


 O que quis dizer, no final das contas refeitas, é que pessoas que não conhecem a estrada pela qual você está seguindo não têm prioridade para interferir nos seus sonhos. E as dores que vão surgir no decorrer dessa estrada pertencem só a você e você deve senti-las e conversar com elas. Nós temos que passar mais tempo com o nosso Eu Privado, porque o nosso Eu Público sofre influências de todos os lados, pode transparecer algo que não somos porque cada um vê o que quer, ninguém mais pensa no outro como ser humano, mas como um ator no espetáculo que a vida se tornou. A vida pública se tornou, porque a vida privada, essa que vive só dentro da nossa cabeça (do nosso corpo também) só vai deixar de ser exclusivamente nosso se a gente deixar.

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